Minha experiência com inclusão
Eu nunca tive alunos diagnosticados de inclusão ou com necessidades especiais, mas ano passado eu tive uma aluna com grandes dificuldades de aprendizagem e que eu julgava ter alguma necessidade especial, mas essa menina não teve nenhum diagnóstico, nenhuma avaliação sobre seu real problema. A escola já a encaminhou para avaliação, ela já foi atendida algumas vezes por uma psicopedagoga, mas ainda não nos passaram o seu real problema.
Essa menina tinha 13 anos e estava ainda na 3ª série, sabia ler, mas não compreendia o que ela lia, também não conseguia realizar produções textuais, mesmo pequenas, pois não conseguia organizar suas idéias, nem mesmo para fazer frases. Reconhecia números e quantificava no máximo até 50 e também não conseguia raciocinar logicamente, não conseguia compreender o que era, por exemplo, ganhar/perder/distribuir... Além de problemas cognitivos, ela também tem algumas dificuldades na fala, muitas vezes eu tinha até dificuldade de entender o que ela falava.
No início, quando eu percebi suas dificuldades, realizava com ela atividades diferenciadas, mais próprias para as suas dificuldades, conforme orientação da psicopedagoga. As professoras das séries anteriores, geralmente me davam atividades que elas aplicavam a suas turmas para que eu pudesse trabalhar com ela. Mas mesmo as atividades de 2ª ou de 1ª série ela conseguia realizar.
Depois de um tempo, comecei a perceber que ela se sentia constrangida por fazer coisas diferentes da turma e até mesmo não queria fazer. Então eu comecei a trabalhar com ela as mesmas atividades que com o restante da turma, mas ajudava-a ou aceitava o que ela fazia conforme as suas limitações.
Essa menina foi o único caso da escola em que um aluno repetiu a Pré-escola, pois ela não conseguia nem recortar, colar, pintar, enfim, não atingiu os objetivos mínimos da pré-escola. Depois disso, ela ficou 3 anos na 1ª série até que conseguiu aprendeu a ler e pôde ir para a 2ª série. Nesta série também reprovou 2 vezes e em 2008 foi promovida para a 3ª série, na qual foi minha aluna.
Conversei com as professoras que já trabalharam com essa aluna e todas me disseram que também desconfiavam que ela tivesse algum problema, mas a mãe nunca aceitou e nunca a levou para fazer alguma avaliação médica mais aprofundada.
Alguns professores julgam que ela não se dedica, mas eu não concordo com isso, pois ela se esforçava, tentava, mas infelizmente a sua resposta era muito inferior aos objetivos mínimos para a série.
Durante o período em que ela foi minha aluna, não recebi nenhum auxílio de como trabalhar com essa menina, pois tampouco sabíamos o que realmente ele tinha, ou melhor, tem, pois ela ainda é aluna da nossa escola, apenas me disseram que ela não acompanharia a turma e que deveria fazer atividades diferenciadas com ela.
Em nossa escola também há outros casos, como um outro com dificuldades semelhantes a dessa menina, talvez até maiores, pois além de problemas cognitivos e na fala, também tem dificuldades de coordenação motora. Hoje, ele já é aluno de área, pois vai sendo promovido, assim como essa menina. Mas eu preferi não falar dele, pois nunca tive contato com ele. Sei que os professores dão atividades diferenciadas e/ou aceitam conforme suas limitações.
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